sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ÁGUA, O BEM MAIS PRECIOSO DA TERRA

O Brasil ostenta ser possuidor de 12% da reserva de água doce do mundo, contudo é um dos países que mais desperdiça água. Estudos recentes apontam que a escassez de água afetará drasticamente 40% da população da terra em 10 anos. 
É mais importante saber usar a gota d´água disponível do que ostentar sua  abundância.  Aldo Rebouças - (Hidrólogo da USP).
A Região do Semiárido e o Norte de Minas Gerais, são áreas que sofrem com longas estiagens e a má distribuição de água.
Uma em cada três pessoas no mundo – cerca de 2,4 bilhões de indivíduos – ainda não têm acesso a serviços de saneamento básico e água potável.

Um panorama da ocupação dos sertões, as secas e suas consequências 

A ocupação dos sertões foi bastante retardada em decorrência, principalmente, das secas. Contudo, após uma carta régia, os criadores de gado tiveram que adentrar os sertões. De 1845 a 1876, aconteceram 32 anos sem secas intensas, que resultaram no aumento das populações e dos rebanhos sem o aumento da infra-estrutura hídrica. Veio, então, uma seca intensa e duradoura de 1877 a 1879, que resultou em trágica mortandade da região com estimativa de cerca de 500.000 óbitos. Foi a partir desse choque que atingiu a sociedade brasileira que começou uma busca de soluções estruturais (Campos & Studart 1997). Foi nessa seca, que se atribui a Dom Pedro II a frase: “venderei a última pedra da minha coroa antes que um nordestino venha a morrer de fome”.
De qualquer maneira, foi a partir dessa tragédia que ações mais efetivas, ainda em ritmo lento, começaram a ser tomadas. O açude Cedro no Ceará, hoje um monumento histórico de baixa capacidade hidrológica, foi iniciado ainda na época do Império.
Fonte do artigo (http://www.abc.org.br/IMG/pdf/doc-811.pdf).
A realidade dos sertões não mudou muito desde os tempos do império, de fato grandes reservatórios até foram construídos em algumas cidades do Semiárido, contudo, secaram com a seca dos últimos 5 anos, e se acentuou o problema do acesso a água no Semiárido brasileiro.
No Sertão do Moxotó, área que já sofre os efeitos da desertificação, a solução encontrada foi a perfuração de poços para que as pessoas tivessem acesso ao bem mais precioso da terra, a água!
O trabalho social de perfuração de poços realizado pela ONG Pão é Vida, (iniciativa do casal, Ronaldo e Joana D´arc),   apoiada por seus parceiros está possibilitando o acesso a água limpa gratuita  para famílias carentes.  Soluções para o desenvolvimento local que brotam no coração do Semiárido.
COMO POSSO AJUDAR NO AVANÇO DESSES PROJETOS?
Há várias maneiras de ajudar no avanço dos projetos e programas que a ONG Pão é Vida desenvolve.  Sendo voluntário nas atividades realizadas, ou sendo um associado-mantenedor enviando uma contribuição financeira. 
Solicite um termo de adesão para contribuir financeiramente como associado, a partir de R$ 50,00 mensais, você estará contribuindo com as ações e projetos. Você receberá um informativo trimestral das atividades.
Solicite um termo de adesão pelo e-mail: ongpaoevida@gmail.com, ou fale conosco pelos fones(81) 99278 9315 (claro)  Whats App (81) 997520140 (tim). 
Jovem mãe com seu filhos levando água de um dos pontos de distribuição de  água.
Morador do Sitio Baixa II abastece sua casa e mata a sede de seus animais levando água do espaço social da ONG no Sertão.
TITULARIDADE: Associação Pão é Vida - CNPJ: 08.316521/0001-64
Deposite sua contribuição para: ASSOCIAÇÃO PÃO É VIDA - AGÊNCIA: 0361-1 CONTA CORRENTE: 15.422-9 - BANCO DO BRASIL.  (Código para ajuda internacional)  (SWIFF) BRASBRRJRCE.
INAJÁ - SITIO BAIXAS - Zona rural entre os municípios de Manari e Inajá.
SÃO PAULO - Rua: Diógenes Taborda 16, Casa II - Jardim Eledy - CEP: 058.56-030 
SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE - Vereador Severino Ribeiro da Silva 94 – Bairro Novo.
Em 2015 mais um poço foi perfurado, desta vez no Sítio Kizanga, onde há livre acesso a água.
Mulher sertaneja transportando água para o seu lar.
 Conta de energia de 1 dos poços perfurados, todos os poços são movidos com energia elétrica.

{...} desde os primórdios, as secas marcaram a história do Nordeste. Fernão Cardin (citado por Souza 1979). 
 Fonte; http://www.abc.org.br/IMG/pdf/doc-811.pdf.
  SECA DE 1976 - FOTO AGENCIA O GLOBO
A SECA DO CEARÁ...
CRONOLOGIA:
1605 - Pero Coelho se retira da Ibiapaba depois de perder seus bens e dois filhos vitimas da seca
1614 - A segunda seca que se tem conhecimento na história do Ceará
1645 - Sem referências
1663 a 1664 - A seca acabou com tudo, levou a população a fome extrema obrigando-os a comer qualquer coisa que matasse a fome.
1692 - Grande seca nos estados de Ceará, Piaui e Maranhão - Os índios invadiam as fazendas devastando tudo
1711 - Sem referências
1721 a 1725 - Morreu quase todo o gado das fazenda que também não prodiziram gêneros suficientes para alimentar a população que fugiu para a Ibiapaba e outras serras
1736 a 1737 - Sem referências
1745 a 1746 - Para sobreviverem, os índios caçavam o gados das fazendas, o governo formou "bandos" para extermina-los
1754 - Sem referências
1760 - A farinha e a carne alcançaram preços altíssimos
1766 - Êxodo para as serras e a formação de "bandos" que roubavam e matavam
1772 - Mais uma vez a seca atingiu a criação de gado
1777 a 1778 - A seca acabou com a criação de gado, que ficou reduzida a 1/8 do total, comercio de charque reduziu significativamente, sendo praticamente extinto.
1790 a 1793 - Considerada a maior seca do século XVIII. As águas desapareceram completamente, morreram o gado, os vaqueiros, os fazendeiros, os animais domésticos e selvagens. As estradas estavam cheias de cadáveres, famílias inteiras mortas de fome e sede. A população fugia do interior para os povoados do litoral e ali, eram dizimados pela peste. Pobres e ricos, igualmente, foram reduzidos a miseráveis. Consumidos pela fome, as pessoas se alimentavam de animais que jamais foram alimento humano, como corvos, carcarás, cobras, ratos, couro de bois, xique-xique, mandacaru e mandioca brava.

MORTOS DA SECA DE 1932
Entre 1614 e 1692, se passam 78 anos sem que se tenha registros escritos sobre a seca, o que não quer dizer que não aconteceram.

Durante o século XVII, os fortins fundados próximo ao litoral eram os únicos pontos de referencia para o navegante. Os quarenta anos da conquista holandeza levou as famílias residentes no Maranhão a fugir para o litoral e o interior cearense e se fixaram na ribeira do rio Jaguaribe e do rio Acaraú. O rio do peixe em Aquiraz, foi ocupado pelos sertanistas da Paraiba. Começava aí, a saga do sertanejo cearense com a seca.

As fazendas que se formavam, serviam de pouso aos viajantes e as populações mestiças cresciam em torno das fazendas, de onde nasceram os povoados que se transformaram em vilas e cidades.

As últimas décadas do século XVII foram cheias de lutas pela posse de terras entre colonizadores e índios. Venceram os senhores coloniais, os indios perderam suas terras e os religiosos, o predomínio das aldeias.

Com o rigor das secas que causou a escassez de caça, os indios começaram a atacar o gado solto no campo, pois como não possuíam o senso de propriedade, entendiam que o gado solto era propriedade comum a todos os indivíduos da tribo.

Os relatos oficiais só se referem as secas depois que a população branca penetra nos sertões e os fazendeiros pedem ao rei o envio de novos escravos, pois os existentes haviam morrido de fome (1723 a 1729), os engenhos estavam em ruínas, pois o branco, proprietário português, não se dedicava ao trabalho braçal, por achar isso, um sinal de inferioridade.

JORNAL DO BRASIL - 1983
Em 1766 o governo expediu ordem régia para que vadios e facínoras que viviam a vagabundar pela capitania e usavam a seca como desculpa para roubar e matar, se ajuntassem em povoações, repartindo entre eles, em justa proporção, as terras adjacentes, sob pena de serem considerados ladrões e inimigos da província, e como tais, punidos severamente. Em consequência dessa ordem, foram criadas as vilas de Sobral, São Bernardo de Russas, São João do Príncipe (Tauá) e Quixeramobim. Conclui-se que não era pequeno o número de vagabundos que viviam no interior. As vilas foram estrategicamente criadas à margem dos rios.

Em 1782, de acordo com informações do Cap. Gal. João Cesar de Menezes, então governador de Pernambuco, o Ceará tinha 61.408 pessoas afetadas pela seca, distribuidas em 972 fazendas e 87 engenhos. Na região do cariri, as fazendas se localizavam na ribeira do rio Icó, com 157 fazendas, e no Inhamuns, com 138 fazendas. Na cidade se Sobral até Acaraú, eram 105 fazendas.

1824 a 1825 - Houve uma tríplice calamidade: seca e fome, guerra civil (cisplatina) e a peste de varíola. Nesse ano observou-se um fenômeno botânico, o juazeiro destilava mel de suas folhas, em tal quantidade, que dava para alimentar a população faminta.  A administração pública nada fez para diminuir a desgraça do povo. Bandos armados se apoderavam das propriedades alheias, como em pleno comunismo. Os corpos dos falecidos iam ficando pelas estradas, praças, campos e ruas, sem serem sepultados, o governo mandou abrir uma vala e lá iam jogando os corpos recolhidos das ruas. Alheio a todas as súplicas, Conrado Jacob de Niemeyer, recrutou milhares de sertanejos para a guerra da cisplatina. 2.150 pessoas embarcaram em navios, desses, 412 morreram de varíola ainda nos navios, 314 foram internados em hospitais e o restante, quase todo, morreu por causa dos ferimentos de guerra ou de frio.

1844 a 1846 -  A população faminta comia vegetais agrestes e sem nutrientes, e muitas vezes nocivos. Os homicídios  aumentaram consideravelmente, ocasionados quase sempre, por questões de alimentos. Não achando mais o que comer, os sertanejos retiraram-se para o Cariri, as terras mais úmidas da província. A caridade da população não supria as necessidades de todos os famintos. O governo, aguardando ordens do ministério, demova demais para atender a população, que morria cada vez mais de fome e sede. As mulheres famintas, de entregaram a prostituição para receberem algum meio de sobrevivência.

1877 a 1878 - Houve uma grande seca depois de 32 anos de inverno, o governo socorreu a população criando frentes de trabalhos, a fome e a varíola mataram muitas pessoas. Os alimentos atingiram o quadruplo do preço. As estradas encheram-se de retirantes que rumavam para o litoral. A província do ceará perdeu 1/3 da população, pelo êxodo ou pela morte. A agricultura desapareceu.

1888 a 1889 - Houve uma grande seca que causou a morte de quase todo o gado e de pessoas, muitos consideraram maior que a seca de 1877, o governo nada fez para ajudar a população. 

1915 - A seca desse ano foi o cenário para o livro "O Quinze", de Raquel de Queiroz, bem com para a implantação do primeiro campo de concentração no bairro Alagadiço, em Fortaleza.

O declínio da pecuária aconteceu a partir de 1920 em conseqüência das grandes secas dos séculos XIX e XX.

1932 a 1933 - Durante essa seca, Lampião e seu bando centralizavam as atenções dos políticos. Padre Cícero  tinha influência política e milagrosa para os sertanejos, a irmandade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto atraia centenas de flagelados para os arredores de Crato.

1958 - A grande seca de 1958 expôs a calamidade da região, o governo teve que atender com obras emergenciais a mais de 500 mil pessoas. Escândalos e a indústria da seca vieram à tona. 


1979 a 1983 - A grande seca de 1979 a 1983 foi considerada a maior do século XX, cerca de 3 milhões de pessoas morreram de subnutrição. A lavoura e a pecuária foram quase extintas e os reservatórios de água secaram.

Referências: História das secas - Séculos XVII a XIX, Joaquim Alves, 2003, Biblioteca Básica Cearense - Fundação Waldemar Alcântara / Notas Cronológicas de Canindé - Revista do Instituto do Ceará / Evolução histórica cearense, Raimundo Girão, 1986
Fonte: http://coisadecearense.blogspot.com.br/2012/07/seca-no-ceara-ate-o-seculo-xix.html