segunda-feira, 21 de junho de 2010

Brasil um país com alto grau de desenvolvimento?

Foram divulgados os novos dados do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial.
Nesse novo ranking o Brasil passou a ser classificado como um país com alto grau de desenvolvimento. Mas, será mesmo? O que pode estar por trás desses dados?
Antes de responder a essas perguntas, é importante lembrar como o IDH é calculado, ou melhor, essa taxa leva em consideração quais variáveis?


O índice é calculado com base em dados que possam revelar o desenvolvimento econômico e social de um país, estado, região ou município. Dentre esses dados estão: a longevidade (ou expectativa de vida ao nascer, considerando as condições de moradia, saúde e alimentação); o grau de conhecimento (taxa de alfabetização de adultos e a taxa de matrícula nos três níveis de ensino – fundamental médio e superior); o PIB per capita (produto interno bruto dividido pelo número de habitantes , considerando o poder de compra da população).Após vários cálculos chega-se a um número entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, melhores condições sócio-econômicas esse país possui; quanto mais próximo de 0, piores condições.Para um país ser classificado como desenvolvido de acordo com o IDH é preciso ter uma taxa entre 0,800 e 1. É o caso do Brasil no último IDH revelado - 2007, tendo como base dados do ano de 2005 - o país alcançou 0,800.
Um país apresenta médio desenvolvimento quando seu IDH está entre 0,500 e 0,799 e baixo desenvolvimento com um índice entre 0 e 0,499.
No entanto é preciso voltar às duas indagações iniciais.
O Brasil realmente já pode ser considerado um país desenvolvido? O que está por trás desses dados relativos ao IDH?Quando se analisa em separado cada um dos dados os quais são necessários para o cálculo do IDH, basicamente, PIB per capita (economia), expectativa de vida (saúde) e alfabetização e escolaridade (educação), percebe-se que o Brasil apresentou avanços significativos na renda per capita.
No entanto, esse é um dado ilusório, visto que envolve toda a renda produzida internamente no país dividido pelo número total de habitantes.
Ora, esse dado mascara o grande abismo social que existe no Brasil, fato comprovado pela enorme desigualdade social e concentração de renda, situação já histórica (infelizmente).
Resumindo, do que adianta ocorrer um aumento da renda per capita se isso não se traduz efetivamente em desconcentração de riqueza e, consequentemente, melhorias para a grande massa da população brasileira?Nas outras duas variáveis, mais ligadas aos aspectos sociais (educação e saúde) o Brasil pouco avançou.

 Segundo o economista brasileiro Flávio Comin, assessor especial para o Desenvolvimento Humano da ONU e um dos autores do relatório de desenvolvimento humano, alguns dados relacionados à saúde e educação do Brasil deixam muito a desejar, como por exemplo a mortalidade infantil. Segundo ele, a média brasileira de 31 mortes por mil crianças nascidas é maior do que na maior parte da América Latina, mas o indicador mais preocupante é a desigualdade entre as camadas mais ricas e mais pobres da população. Enquanto entre os 20% mais ricos a mortalidade infantil é de 29 por mil, entre os 20% mais pobres salta para 83 por mil. Quer dizer, mais uma vez está refletida a enorme desigualdade social brasileira. Como o país pode ser considerado como de alto desenvolvimento humano se ainda existem essas mazelas sociais e econômicas?
 Sendo assim, termino essa postagem com algo que sempre tento passar em minhas aulas: temos que ter consciência crítica para analisarmos determinados dados, taxas, índices, notícias, discursos políticos...
Autor da matéria: Professor de geografia http://geocontexto-al.blogspot.com/2009_11_01_archive.html



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