INCLUSÃO SOCIAL

               CAPACITAÇÃO -  GERAÇÃO DE RENDA -  INCLUSÃO SOCIAL.
Estes são alguns pilares que possibilita que os sertanejos tenham oportunidade de permanecer na sua terra.
O êxodo rural, (migração) é um fenômeno recente no Brasil, causou inchaço nas periferias das grandes cidades brasileiras.  Muitos sertanejos fizeram este caminho desde a década de 60\70, não eram hostilizados, como na atualidade. Na época a sua mão de obra era necessária foi absorvida. 
Foram eles, os nordestinos, que ajudaram construir algumas das grandes cidades brasileiras.
Atualmente muitos dos nordestinos que migram enfrentam diversas faces do preconceito. Há estudos que comprovam que um alto índice de nordestinos que migram, o fazem por falta de condições de sobrevivência na terra. Acreditamos ser importante que nordestino, viva com dignidade em seu lugar de origem.
O desenvolvimento local é um caminho que estamos trilhando no Sertão do Moxotó, (área rural abandonada pelo poder público). É um desafio a longo prazo, porém, já é possível ver mudanças.
                     COM CAPACITAÇÕES, É POSSÍVEL VER AVANÇOS
Ano passado fizemos capacitações em parceria com o SENAR – PE, com objetivo que as famílias passassem a plantar árvores frutíferas e hortas. De lá para cá, temos doado mudas de árvores frutíferas para quem deseje ter seu pomar. Ver as mudas crescendo nos quintais, é uma dádiva. Houve casos, como da Rosicleide, que recebeu da ONG Pão é Vida mudas e arame farpado, para cercar seu pomar, pois os bodes (caprinos) estavam devorando tudo... O pomar hoje, cresce vigoroso!  
Para nossa surpresa, até as crianças e adolescentes vieram em busca de ajuda para plantar hortas nos seus quintais. Houveram situações, meni animadoras, em que pessoas beneficiadas com as mudas, (mesmo tendo água dos poços) deixou as importantes mudas morrer. O caso mais emblemático foi de um lindo abacateiro com mais de 1 ano, que secou devido a falta de cuidado.

                                 UM POUCO DA HISTÓRIA
Após realizar ações e projetos em São Paulo, Paraíba e no Rio Grande do Norte, em janeiro de 2008 a ONG Pão é Vida chega em Santa Cruz do Capibaribe, localizada no Agreste setentrional de Pernambuco. 
 A cidade é um Importante polo econômico do estado, em função  setor têxtil, a cidade é conhecida como "capital da Sulanca".
Apesar da fama de ser a "cidade que mais cresce em Pernambuco", possui  problemas estruturais e sociais.  
Fomos conhecer a cidade e os bairros e nos deparamos com um cidade de gente criativa e empreendedora, conhecemos também famílias oriundas dos sítios, povoadas e pequenas cidades que migraram para Santa Cruz em busca de trabalho, e  sem qualificação profissional necessária ficaram fora do mercado, (que absorve mão de obra qualificada) e acabaram vivendo em situação muito precária.

  PRIMEIRA COMUNIDADE ADOTADA EM SANTA CRUZ FOI A FAVELA DO PAPELÃO.

Dia 08 de junho de 2008, Pão é Vida promoveu um mutirão solidário na escola Dona Tila da Costa Lima, em Santa Cruz do Capibaribe, ao lado de uma comunidade conhecida como “Favela do papelão”  cerca de 20 cabeleireiros, e outros profissionais estiveram prestando serviço na comunidade.  Um agente de saúde ministrou palestra sobre o perigo da dengue, cortes de cabelo, aferição de pressão arterial, teatro com fantoches, brincadeiras com palhaços e sorteio de brindes. 
A ONG Pão é Vida atua na comunidade desde fevereiro 2008, acompanhando famílias, realizando atividades educativas e lúdicas para aquelas pessoas que viviam em barracos de plástico ou papelão numa invasão.
Algumas eram oriundas de  Buíque, Alagoinha e Brejo da Madre de Deus em Pernambuco.
SAIU LIMINAR PARA RETIRADA DAS FAMÍLIAS DA “FAVELA DO PAPELÃO”
Em Maio de 2009 saiu uma liminar para retirar as famílias de um local conhecido como “Favela do papelão”. Cerca de 90 famílias viviam ali em condições sub-humanas morando embaixo de barracos de plástico ou de papelão. Batalhamos junto a secretária de ação social da Santa Cruz do Capibaribe buscando uma solução pacifica para a situação.
As famílias em situação de vulnerabilidade social moravam anos nesse local havia cerca de 2 anos, eram famílias inteiras, pessoas destituídas de emprego e renda, que muitas vezes a parte invisível do povo brasileiro
Entregamos um mapeamento das famílias á então secretária de ação social do município, e falamos das nossas ações na comunidade e da preocupação quanto ao futuro daquelas pessoas.
Reconhecemos o direito a propriedade, e não apoiamos invasões, no entanto, cabe ao poder público prover o que garante a constituição de 1988 (moradia e dignidade humana).
  DOAÇÃO DE TERRENOS PARA FAMÍLIAS CARENTES DA FAVELA DO PAPELÃO
A doação de pequenos terrenos foi feita pelo poder público municipal e  ocorreu exatamente quando completou 1 ano de acompanhamento das famílias, depois de cobrarmos uma ação definitiva das autoridades e expor a real situação em que viviam. Dia 15 de junho de 2009, as famílias foram retiradas da “Favela do papelão” para outra área doada pela prefeitura de Santa cruz do Capibaribe.
Dia 16 á 28 foi o período mais difícil, sem seus barracos, as famílias dormiram vários dias ao relento, sem abrigo, não tinham sequer pregos para refazer seu barracos. tudo o que possuíam eram restos de papelão e pedaços de plásticos que trouxeram do local onde viviam. Naqueles dias doamos compensados, cobertores, roupas e pregos, além ajudarmos na montagem dos barracos, estrutura temporária até que possam construir casas de alvenaria. Iniciamos a nova etapa, ajudando montar estruturas provisórias para se protegerem do frio e da chuva, uma vez que as famílias ganharam o terreno, mas, foram retirados da invasão ás pressas e deixados no novo local sem nenhuma infraestrutura.
 LAUDJANE  - UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO
Quando o encontramos o Laudjane em janeiro 2008, ele estava sentado debaixo de uma arvore, num sol escaldante... cozinhando algo num fogo de chão improvisado com gravetos. cozinhando um caldo numa panela de barro, ( segundo ele, era farinha com a água) envergonhado ele nem levantou a cabeça para olhar quem falava com ele... após nos ouvir por uns instantes,  enfim levantou a cabeça parecendo se interessar pelo assunto... Soubemos naquela conversa, que ele estava vivendo debaixo de uma barraca de plástico com seus 5 filhos e a esposa.
Essa é uma das primeiras casas erguidas na nova comunidade, a casa de Laudjene, ajudamos doando cimento para a obra.
A partir dali nasceu uma amizade e o desejo de vê-lo em uma condição de vida melhor...
Sem outro trabalho que lhe desse condições de alimentar sua família, ele catava reciclagem  para sobreviver, porém não tinha sequer um jumento para ajudar nessa tarefa, ele mesmo puxava a carroça.
Ajudamos ele para que construísse a sua casa de alvenaria, em um terreno doado pela prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe.
Um dos momentos tristes que tivemos ao acompanhar o processo de Inclusão social de Laudjane, foi o dia em que ele conseguiu uma entrevista de trabalho no ano de 2009.


Quando ao ser perguntado sobre seu endereço, disse que morava na "favela do papelão", sua sinceridade lhe custou à vaga para o trabalho, pois o empregador disse que a vaga havia sido preenchida. Laujane nos procurou em prantos desabafou: Eu poderia ter mentido, só porque falei a verdade perdi a oportunidade de ter um trabalho para alimentar meus filhos e viver um vida com um pouco mais de dignidade.
Hoje, "Lau Mecânico", como é mais conhecido na comunidade, conserta carros  e recentemente comprou um pequeno terreno onde funciona a sua oficina,  assim sustenta sua família com dignidade.


EDILZA E SEUS 3 FILHOS
Em 2006 ela passou um momento muito difícil, mãe solteira de 3 filhos, o Luiz era um bebê naquela época. Ela ficou desempregada e sem contar com ajuda efetiva dos pais das crianças ou mesmo dos programas do governo federal, muito embora tivesse tentado, pois se cadastrou-se 3 vezes, mais, o tal cartão nunca chegava...
Naqueles dias ouvimos de um funcionário do banco que alguém com nome semelhante ao seu, estava recebendo o benefício do bolsa família dela em uma cidade chamada Jupi, ela nunca havia ido nessa cidade. Chegamos em sua casa naqueles dias (...) Edilza estava com aluguel atrasado, sem água, pois não tinha cisterna em sua casa... as crianças choravam muito. Foi todo um processo. Ajudamos na mudança para outra cidade ela. Conseguimos 2 entrevistas emprego, Após aprovação em uma delas conseguiu trabalhar com carteira assinada por 2 anos.
Em 2010 Ele recebeu concluiu o curso de costura industrial ofertado pela ONG Pão é Vida.